ZÉ PAULO, “O TOURO DO TOBIAS”, É HOMENAGEADO, COM MUITA JUSTIÇA, PELO FORTALEZA.
- 2 de fev. de 2019
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Gildo (presidente do Leões 100) - Zé Paulo - Dr. Rolim Machado (Vice-presidente do Fortaleza)
ZÉ PAULO, “O TOURO DO TOBIAS”, É HOMENAGEADO, COM MUITA JUSTIÇA, PELO FORTALEZA.
Sou um dos defensores da teoria de que devemos prestar homenagens aos bons profissionais e, vez por outra, tenho indicado nomes para receber o reconhecimento do Fortaleza pelos serviços prestados ao clube, por grandes jogadores da nossa história, até porque todo ser humano gosta de ter o ego massageado e de ver o seu trabalho reconhecido.
A homenagem, indiscutivelmente contribui para elevar a autoestima e para fazer com que o homenageado se sinta importante e, por traduzir ainda, uma mensagem significativa com referência às relações de trabalho, isto porque representa uma ruptura com o modelo de gestão arcaico, que avaliava que o trabalho desempenhado por cada um não era mais do que a obrigação”.
Enveredando pelo nosso caso, o futebol, a história é pródiga em nos mostrar que muitos jogadores tricolores foram capazes de doar o suor e o sangue para que o Tricolor chegasse às conquistas memoráveis, defendendo o clube com alma, numa relação de amor, muito além das relações pecuniárias.
Por essa razão defendo a premissa de que no Pici deveria ser implantada a “CALÇADA DA FAMA”, com dois setores, objetivando prestar um preito de reconhecimento e gratidão, não apenas aos nossos jogadores, mas também e sobretudo, aos grandes tricolores que se dedicaram ao clube de corpo e alma e que foram peças fundamentais na construção da sua grandeza.
O primeiro setor, denominado de “calçada da fama póstuma”, seria destinado a prestar reconhecimento e gratidão aos nossos ícones que partiram para outra dimensão, a espiritual, e que se inserem no panteão dos grandes heróis tricolores.
O segundo denominar-se-ia “calçada da fama contemporânea”, tendo como escopo distinguir com um preito de reconhecimento e gratidão, em vida, aos que prestaram e prestam relevantes serviços ao Tricolor, dentro e fora das quatro linhas, e que ainda se encontram no plano físico ou material. Por que não? Com a palavra o Conselho Deliberativo.
Dentro desse diapasão e dando sequência ao processo de resgate da memória tricolor, o Grupo Leão 100 homenageou, nesta sexta-feira, mais um grande ícone do clube, indiscutivelmente um dos melhores zagueiros do Fortaleza, de todos os tempos, que tive o privilégio de ver jogar.
Zé Paulo, o Touro do Tobias, apelido recebido em razão da sua raça e do fato do seu genitor, o senhor Tobias, ser o dono de uma vacaria nas imediações do Pici. O nosso ilustre homenageado substituiu outro grande zagueiro e pouco lembrado, o piauiense Sanatiel, que defendeu as nossas cores no tempo do semiprofissionalismo.
Reportamo-nos a um tempo no futebol, bucólico e romântico, em que os jogadores vestiam, durante toda a carreira, apenas uma camisa, ou no máximo duas, incluindo-se a do clube formador e jogavam por amor.
José Paulo Gomes, mais conhecido como Zé Paulo, nasceu na cidade de Fortaleza no dia 14 de junho de 1944 tendo 75 anos e um vigor físico impressionante, tanto pelo fato de ter sido um atleta que se cuidava, ou de elevado senso profissional, como pela compleição física privilegiada e pela profissão abraçada após encerrar a carreira, de professor de Educação Física.
O Touro do Tobias, um gigante dentro de campo, que também pode ser chamado de “Deus da Raça”, assim como o foi o Rondinelli do Flamengo, defendeu o Fortaleza nas décadas de 60 e de 70 e, com muita dignidade honrou o nosso manto sagrado, merecendo e fazendo jus a todas as honrarias do mundo.
Os mais novos podem, equivocadamente, fazer a ideia de que o Zé Paulo era apenas “força física e músculos”, o que não é verdade, posto que o grande zagueiro aliava a sua magnifica força à uma técnica apurada, responsável pela sua grande capacidade de antecipação nas jogadas.
Juntava-se a todas essas virtudes e características a velocidade e a capacidade de sair jogando, que lhe davam o status de um zagueiro completo. Não tenho dúvidas de que o grande e incomparável Zé Paulo se adaptaria perfeitamente às exigências do futebol moderno.
Foi Campeão cearense pelo Fortaleza em 1964,1965,1967,1969,1973 e 1974 e Campeão do Norte-Nordeste de 1970 e Vice da Taça Brasil de 1968. Jogou ao lado, cada um a seu tempo, de dois dos maiores laterais direitos da história tricolor, Mesquita e Louro e foi substituído pelo Pedro Basílio.
Essa homenagem feita com muita justeza foi sugerida por mim ao Dr. Rolim Machado e ao Fábio Marques e apadrinhada de imediato pelo Araújo Coração de Leão e pelo Almir Brito, o Nani, mas por motivos de força maior não pude comparecer à cerimônia.
A placa foi entregue pelo Dr. Rolim Machado e pelo Gildo, presidente do Projeto Leão 100 e o homenageado, perdendo a sua tradicional timidez, a agradeceu emocionado e com a voz embargada:
- “É uma grande satisfação receber essa homenagem, é um orgulho, uma felicidade que Deus me deu de jogar no Fortaleza. Estou muito emocionado porque joguei no tricolor, fui campeão, e ser reconhecido por defender essas cores é algo inesquecível”.
Você merece Zé Paulo!
Por hoje c’est fini.





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