FORTALEZA: PRONTO PARA NOVAS BATALHAS
- 9 de abr. de 2018
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Perdemos um dos títulos mais importantes da nossa história, o do centenário e, como não poderia deixar de ser estou cabisbaixo, sorumbático, macambúzio e entristecido. Perdemos a oportunidade de entrar para um grupo seleto de clubes, apenas oito, que lograram a consecução desta conquista histórica.
Hoje, no entanto é outro dia. Temos que buscar a resignação e olharmos para a frente, porque outros desafios e outras conquistas virão. Perder ou ganhar faz parte da batalha diária, em que lutamos contra uma série de obstáculos que nos ameaçam a cada passo e à cada esquina e só Deus pode nos levar a caminhar por caminhos seguros.
Tenho que desistir da minha tristeza, ao passo que peço a todos os tricolores, para resistirem à essa sensação de que o mundo acabou e que, para nós não existe mais horizonte. Além do horizonte estão os nossos sonhos e sonhar, nos diz a música, é preciso, porque é o sonho que nos mantém vivos e que nos fazem seguir em frente.
É o sonho que nos leva a além do horizonte. É o sonho que nos faz acreditar num amanhã mais auspicioso, é o sonho que nos abre as portas da esperança e nos induz a acreditar que a tristeza, que não é para sempre, é apenas um estado de espírito, enquanto a alegria é um estado da alma.
Não deixei de sonhar e nem de acreditar no Fortaleza. Faço isso há 60 anos e nunca me arrependi. Olho para trás, para os sonhos que passaram, para as conquistas que não vieram, sem embargar a voz e sem inundar de tristeza o meu coração.
Os rastros deixados nessa caminhada por todos nós e, principalmente pelo Fortaleza, não são simples pegadas que se perderão ao vento, são marcas da nossa e da história tricolor.
O Fortaleza deve olhar para trás para tirar lições das derrotas e não para remoer os sofrimentos, sempre na firme convicção de que a cada tropeço há que se levantar mais forte, aplainar os caminhos e seguir em frente altaneiro. Se assim não fizesse perderia o seu Norte.
Alguém pode considerar e avaliar que esse não é o momento para divagarmos e sim para sermos mais contundentes e incisivos e que devemos de forma impiedosa caçar as bruxas e os possíveis culpados por esse insucesso.
Facílimo fazer isso, pois todos estão batendo, de forma impiedosa no treinador e em alguns jogadores que, após um fracasso dessa monta, ficam com as cabeças a prêmio e a um passo do cadafalso. Não serei eu o carrasco, não tenho essa vocação.
Prefiro olhar o cenário com serenidade, mas defendendo a premissa de que o planejamento do staff tricolor precisa ser revisto. Aliás na Administração a correção de rumos é uma das ferramentas, que se seguem à avaliação.
No jogo de ontem não podemos criticar o nosso time, posto que houve uma entrega total, mas não era o nosso dia. Perdemos um pênalti, o goleiro do adversário, fez pelo menos duas grandes defesas e também não fomos competentes na hora de colocar a bola nas redes.
No primeiro gol, após a cobrança de uma falta, a bola sobrou na direita para o Pio, que chutou de forma indefensável e só podemos reclamar do fato de ninguém tê-lo acompanhado.
Dominamos quase todo o segundo tempo e, para nossa desdita, num contra-ataque do adversário, a bola espirrou num dos nossos zagueiros e sobrou livre na esquerda para o atacante rival matar o jogo.
Na próxima sexta-feira começa uma nova etapa, muito importante e para a qual o nosso apoio é fundamental, razão por que, mesmo correndo o risco de ser criticado, não execrarei publicamente o treinador e nem o nosso elenco.
Nesse momento, como qualquer torcedor estou chorando por dentro, mas vou manter a calma e acreditar no nosso potencial, pois o desespero não nos trará o título de volta. Não estamos sem ter nada, pois mantivemos a honra, a altivez e a dignidade.
As derrotas me batem, mas não me abatem e a fé me dar a força que eu julgava não possuir. As lágrimas que rolam não meu rosto são linimentos que saram as feridas do peito e lenimentos para as dores da minha alma. Estamos prontos para novas batalhas.
Por hoje c’est fini.
Por hoje c’est fini.





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